Compromisso reencarnatório – Parte III

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A jornada na Terra é sempre de desafios. Reencarnar é um grande desafio, afinal, é extremamente desconfortável para o espírito submeter-se aos condicionamentos da matéria. Analogamente, é como se comprimisse em uma pequena caixa, onde passa a ver a realidade através de dois pequenos orifícios, o que restringe seu ângulo de visão, portanto, suas concepções, percepções e a própria consciência de ser.

Quando entra nessa “caixa”, sua luta permanente será expandir os horizontes para além desses limites, pois o desconforto é grande. É como se, para revelar aquilo que é – suas substância e singularidade, precisasse comprimir-se para “dar à luz” sua essencialidade, da mesma maneira que esprememos um tubo de pasta para expelir o seu interior.

É interessante atentarmos para as similaridades que permeiam a totalidade que nos cerca. No Universo, o movimento das coisas acontece sempre pelo processo de contração-expansão. Esse fenômeno se denomina algoritmo, uma fórmula padrão para se alcançar resultados. Assim, dos microorganismos às estrelas, todos, indistintamente, fazem esse movimento de contração-expansão para promover o equilíbrio da parte, do todo e da totalidade e, assim, manter tudo em permanente transformação.

Ao reencarnar, o espírito encontra uma plataforma de insumos constituídos pelas gerações que o antecederam. Sua tarefa será, invariavelmente, levar adiante aquilo que outros começaram. Dentre esses insumos, encontram-se os subsídios para que possa ampliar seus horizontes para além do alcançado pelos seus antepassados, sempre partindo da herança social que recebeu. Assim sendo, cada um, em face da sua singularidade, dos seus talentos e habilidades, ajuda a constituir os meios que ampliam os horizontes da própria humanidade.

Ninguém está isolado ou alheio da responsabilidade de deixar um mundo melhor que o recebido. Por isso precisamos tanto uns dos outros. Sozinhos encontraríamos obstáculos intransponíveis para seguir adiante. Cada um deve trilhar um caminho próprio, intransferível, porém sempre complementar aos caminhos dos que compartilham um mesmo tempo e espaço nessa jornada. Portanto, somos todos insubstituíveis. Afinal, como seres iguais em substância e diferentes como indivíduos, pois não existe nada repetido no universo, nossas qualificações serão sempre únicas. Se nos ausentarmos das obrigações que nos cabem, outros assumirão a tarefa, mas nunca da mesma maneira. Portanto, nossos contemporâneos continuarão a caminhada, porém com os inevitáveis prejuízos causados pela nossa defecção.

Isso nos leva à reflexão sobre a magnitude de nossas responsabilidades diante dos demais seres que convivem conosco. Manter-se em equilíbrio, cuidar do corpo, da mente, vencer a indolência, recusar a omissão, enfrentar as incertezas, transpor os obstáculos, realizar nossas tarefas, etc., eis os desafios a serem enfrentados diuturnamente. Na Terra, vivemos momentos de luzes e sombras, altos e baixos, às vezes tropeçamos e caímos, mas sempre poderemos levantar e seguir adiante. Como diz o espírito Leocádio Correia, aqui tudo passa.

Fonte: Rui Simon Paz. Sociólogo, professor acadêmico na Faculdade Doutor Leocádio Correia e coordenador de grupos de estudos espíritas.

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