A Obsessão e o Livre Arbítrio Parte I

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Hoje vamos falar sobre um assunto muito polêmico, e que muitas vezes têm uma visão equivocada. O professor Rui Simon Paz explica-nos que ninguem pode ser vítima do controle de terceiros, pois sempre prevalecerá o livre arbítrio.

 

A obsessão é tema recorrente em grande parte das casas espíritas. Eu diria, inclusive, que em muitas este tema é o eixo condutor das atividades nessas casas. Portanto, somente por essa razão a questão requer uma reflexão cuidadosa.

O conceito corrente sobre obsessão refere-se, via de regra, à influência exercida por espíritos malévolos sobre outras pessoas, inclusive, alcançando estados de domínio e possessão. Com efeito, a pessoa obsidiada torna-se vítima de uma controle ao qual não pode resistir, ou seja, seu livre arbítrio fica tolhido pela ação de terceiros.

Ora, em primeiro lugar, devemos refletir sobre algumas questões fundamentais relativas a esse suposto fenômeno: há espíritos desencarnados malévolos entre nós encarnados? O que acontece depois que desencarnamos? Para onde vamos? O espírito, sem o corpo físico, é capaz de permanecer aqui na Terra, segundo a sua vontade?

Vejamos. Para vivermos na matéria, precisamos de um corpo físico compatível com a densidade e a frequência vibratória dessa matéria. Em outras palavras, é preciso estabelecer uma simetria entre matéria e espírito. Como ambos são substancialmente diferentes, o corpo e o perispírito cumprem essa função mediadora. Analogamente, um profissional de mergulho em grandes profundidades, por exemplo, necessita de uma roupagem especial, associada a tubos de oxigênio e outros gases, para poder permanecer nesses ambientes por um determinado tempo. Ora, essa parafernália nada mais é do que o elemento mediador entre a assimetria do corpo humano e o ambiente subaquático, do contrário, seria impossível ao mergulhador permanecer submerso por longos períodos.
O mesmo ocorre com o espírito reencarnante. Ele necessita de um “escafandro” para mediar a distância entre a sua natureza e a da matéria. A assimetria é compensada pelo perispírito, que é o elemento intermediário entre ambos. Esse “escafandro” é, pois, o corpo físico. E, quando desencarna, em face do esgotamento ou de dano irreparável do corpo material, perde completamente a condição de permancer no ambiente terra, por absoluta ausência de simetria.

Então, como poderia o espírito permanecer vinculado ao polissistema material sem a mediação do corpo físico? Qualquer espírito, independentemente de seu grau de evolução é capaz de, num ato volitivo, aqui permanecer ao seu bel-prazer?

Pela necessidade de estabelecermos uma simetria entre espírito e matéria, precisamos do perispírito. Essa condição somente pode ser alterada, temporariamente, pelo concurso do ectoplasma. Portanto, dominando a técnica de manipulação, por assim dizer, desse elemento semimaterial, o espírito é capaz de permanecer na frequência da matéria por períodos determinados. Mas, não alcança essa condição sem um treinamento prévio e minucioso. Além disso, é preciso ter permissão dos espíritos instrutores que, em face dos objetivos e propósitos do deslocamento até a Terra, autorizam ou não a jornada.

Assim, temos algumas condições sine qua non para a presença de espíritos no polissistema material. Além disso, a disponibilidade de ectoplasma adequado a presença dos espíritos entre nós não é abundante, como se poderia imaginar.

Apesar de todos os seres produzirem esse elemento semimaterial pelos respectivos metabolismos, há tipos diferentes de ectoplasma e, por conseguinte, somente algumas variações se prestam a esse propósito.

O ectoplasma é semelhante ao tipo sanguíneo dos indivíduos. Neste caso, dividimo-nos em tipos A-B-O, que também se desdobram em fatores positivos e negativos. Os portadores do tipo “O negativo” são considerados doadores universais, ou seja, qualquer pessoa com característica sanguínea diferente pode receber doação desse tipo. No entanto, a parcela de doadores universais corresponde a menos de 10% da população mundial. Portanto, é minoritário e raro.

Mutatis mutandis, o ectoplasma também se diferencia de indivíduo para indivíduo, restando uns poucos que produzem o tipo específico capaz de viabilizar a manifestação dos espíritos no polissistema material.

Com efeito, além da complexidade inerente à manipulação desse elemento, ele também revela-se raro. Logo, não está disponível a qualquer um, quando bem o entenda. Há um controle e uma destinação bem definidos pelos espíritos orientadores. Esse é um dado importante para começarmos a compreender as condições necessárias à presença de espíritos desencarnados entre nós.

Segue…

 

 

 

 

Fonte: Rui Simon Paz. Sociólogo, professor acadêmico na Faculdade Doutor Leocádio Correia e coordenador de grupos de estudos espíritas.

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