Considerações sobre a Psicografia e Psicofonia – Parte II

 

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“Paris, rua Grange Batelière, número18, maio de 1855. Eram oito horas da noite de uma terça-feira quando a sessão na casa da sra. De Plainemaison começou. Em silêncio absoluto, os convidados tomaram seus lugares à mesa, mãos espalmadas sobre o tampo de carvalho. Entre os mais compenetrados estava o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, 50 anos. Em poucos minutos, se tudo desse certo, ele seria testemunha de um fenômeno que causava espanto e polêmica na Europa e nos Estados Unidos do século XIX: o espetáculo das mesas girantes. Ele já tinha lido as notícias nos jornais e ouvido os relatos das cenas que se repetiam em salões nobres Paris,Londres, Nova York e São Petersburgo, diante de personalidades tão ilustres quanto perplexas: mesas de todos os pesos e tamanhos se erguiam do chão e se moviam em todas as direções, sem que ninguém as levantasse. Algumas chegavam a atingir o forro teto e a se espatifar lá embaixo, como se estivessem dominadas por forças ocultas. Outras flutuavam no ar e pousavam diante das testemunhas, como folhas ao vento. Muitas seguiam as ordens e contra ordens dos comensais. Direita, esquerda, sobe, desce, para”.(Marcel Souto Maior – Kardec A Biografia – editora Record, pag.5) .

“Frequentemente, se nos dirigem perguntas sobre a maneira pela qual obtivemos as comunicações que são objeto de O Livro dos Espíritos. Resumimos, aqui, tanto mais voluntariamente, as respostas que nos fizeram, a esse respeito, pois isso nos dará ocasião de cumprir um dever de gratidão, para com as pessoas que quiseram nos prestar seu concurso.”

“Como explicamos, as comunicações por pancadas, dito de outro modo, pela tiptologia, são muito lentas e muito incompletas, para um trabalho de longo fôlego, também não empregamos, jamais, esse meio; tudo foi obtido pela escrita e por intermédio de vários médiuns psicógrafos. Nós mesmos preparamos as perguntas e coordenamos o conjunto da obra; as respostas são, textualmente, as que nos foram dadas pelos Espíritos; a maioria, foi escrita sob nossos olhos, algumas foram tomadas de comunicações que nos foram dirigidas por correspondentes, ou que recolhemos, por toda parte onde estivemos, para estudá-las: os Espíritos parecem, para esse efeito, multiplicar, aos nossos olhos, os sujeitos de observação.”

“Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho, foram a senhorita B***, cuja complacência nunca nos faltou; o livro foi escrito, quase por inteiro, por seu intermédio e na presença de um numeroso auditório, que assistia às sessões, e nelas tomavam o mais vivo interesse. Mais tarde, os Espíritos prescreveram-lhe a revisão completa em conversas particulares, para fazerem todas as adições e correções que julgaram necessárias. Essa parte essencial do trabalho foi feita com o concurso da senhorita Japhet, que se prestou, com a maior complacência e o mais completo desinteresse, a todas as exigências dos Espíritos, porque eram eles que determinavam os dias e as horas de suas lições. O desinteresse não seria, aqui, um mérito particular, uma vez que os Espíritos reprovam todo o tráfico que se possa fazer com sua presença; a senhorita Japhet, que é, igualmente, sonâmbula muito notável, tinha seu tempo utilmente empregado; mas compreendeu que era, igualmente, dele fazer um emprego aproveitável, consagrando-o à propagação da Doutrina. Quanto a nós, declaramos, desde o princípio, e nos apraz confirmar aqui, que jamais entendemos fazer, de O Livro dos Espíritos, objeto de uma especulação, devendo os produtos serem aplicados em coisas de utilidade geral; é, por isso, que seremos, sempre, reconhecidos para com aqueles que se associaram, de coração, e por amor ao bem, à obra à qual nos consagramos.” ( Kardec – Revista Espírita, de janeiro de 1858, página 36 )

Observação: As médiuns que serviram a esse trabalho foram inicialmente as jovens Caroline e Julie Boudin (respectivamente, com 16 e 14 anos à época), às quais mais tarde se juntou Celine Japhet (com 18 anos à época) no processo de revisão do livro.

A ciência espirita progrediu como todas as outras, de uma forma significativa. Mas não foi um caminho fácil e rápido. No inicio eram meios primitivos, com recursos muito limitados. Com as pesquisas de Kardec passamos da análise da diversão para uma analise científica.

 

Primeiras formas de manifestações:

1. Sematologia  sema=sinal   logos= palavra/discurso

2. Tiptologia  tipto=pancada   logos= palavra/discurso

3. Cestas e pranchetas

4. Psicografia     psico = mente /alma grafia=escrita

 

Mediunismo: comunicação mediúnica

Mediunidade: comunicação entre espíritos, seja ele encarnado ou não. Uma faculdade do espírito. Através da leitura do mundo, da observação que faço do outro, das plantas, dos animais. Seria um diálogo com todo o Universo.

Processo mediúnico: é a interação entre o polissistema material e o espiritual que se viabiliza através do conhecimento possível de dois seres inteligentes num dado momento e espaço, produzindo valores com significação universal. Atendendo ao consentimento das partes, produzindo valores que correspondem as expectativa cultural dos dois polissistemas(material e espiritual)

Tipos de Psicografias

1. Mecânica: o médium não tem consciência do que esta escrito. Se caracteriza pelo fato de movimentar a mão, escrevendo sob a influência direta do espírito, com uma impulsão completamente independente da sua vontade, que avança sem interrupção enquanto o espírito tiver alguma coisa a dizer.

2. Semi mecânica: o médium tem consciência do que escreve. O médium sente a mão impulsionada, sem que esta seja sua vontade, mas ao mesmo tempo tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. O pensamento aparece antes ou após da escrita. Também pode ocorrer ao mesmo tempo. Estes médiuns são os mais numerosos.

3. Intuitivo: o médium intuitivo age como um intérprete para transmitir o pensamento do espírito; por isso, precisa compreendê-lo, a fim de traduzi-lo fielmente. Esse pensamento, não é dele, mas passa através do seu cérebro.

4. Inspirado: é o tipo de médium que recebe mensagens em estado de êxtase, comunicações mentais estranhas às suas ideias e o que os caracteriza é, sobretudo a espontaneidade e o caráter rico de informações como uma sinfonia, um livro, sem que seja músico ou escritor.

psicografia

A ligação acontece entre o perispírito do encarnado com o perispírito do desencarnado. O espirito atua na glândula pineal do médium, estimulando a liberação de melatonina, desta forma, pode manipular  a zona que vai atuar. Adormecendo esse local.
Na Psicografia seria a mão /braço. No caso da Psicofonia, essa intervenção ocorre na região oral (laringe,aparelho respiratório). A voz não muda, o que muda nesse caso é a intonação e frases próprias do espirito manifestante. Também vale ressaltar que, segundo os orientadores espirituais, o médium não pode ingerir nada, (o espirito que esta utilizando esse aparato orofaríngeo não pode deglutir) concluindo que, os espíritos não bebem pois não podem. Tanto na psicografia quanto na psicofonia,  o médium pode interromper essa ligação na hora que ele queira, não há dominação de nenhuma das partes envolvidas.

Para que essa comunicação seja eficaz e eficiente, o espirito deve conhecer o médium profundamente, pois não é qualquer médium que pode receber as informações dos espíritos. Deve haver uma conexão entre o espirito desencarnado com o encarnado. Esse processo, não se faz da noite para o dia, o médium não vem pronto, tem que estar capacitado para isso. Essas mensagens vem segundo o possível daquele médium. Chico Xavier por exemplo, deve ter alcançado essa capacidade após muitas encarnações de aprendizado e estudo, como qualquer capacidade mediúnica temos que conhecê-la, dominá-la para depois utilizá-la com destreza e maestria.

Quando ouvimos “médiuns” dizendo que receberam comunicações de pessoas recém desencarnadas, seria como muito duvidoso, já que quando “chegamos ao plano espiritual”passamos por um período de adaptação do novo meio, e aprendizado de como utilizar essa nova forma para nos locomover, expressar etc.
Quando ocorre uma comunicação, do espirito desencarnado de forma “recente”, essa só é possível com a permissão dos mentores, e a comunicação se faz com ajuda dele, ou seja, é o mentor desse desencarnado que se manifesta.

Para o espirito atuar em nosso perispírito, tem que conhecer esse processo, alem do médium em questão, para que desta forma, com a permissão do encarnado, acorra o produto mediúnico. E para diferenciarmos de uma possível mensagem puramente anímica, observaremos o conteúdo dessas mensagens, se é rica em detalhes, intensa, ou é sempre a mesma fala, pobre em conteúdo e repetitiva. Sem esquecermos, de verificar se apresentam forma, significado, uso ou função. Alem de valores universais, especialista, alternativos e individuais.

 

 

 

 

Fonte:- CCM – Curso de Capacitação de Monitores 2014 – SBEE – Tema: Psicografia e Psicofonia – Prof. Raul Fernandes de Oliveira – 14° Encontro.
– Estruturas dinamicas do pensamento espírita: Cadernos de psicofonias de 2011/ pelo espirito Antonio Grimm (psicofonado por)Maury Rodrigues da Cruz – Curitiba, SBEE
-Cadernos de Psicofonias de 1999; Doutrina Social Espírita-pelo espirito Antonio Grimm (psicofonado por) Maury Rodrigues da Cruz – Curitiba,SBEE
-Souto Maior, Marcel – Kardec A Biografia – editora Record 2013
-Kardec – Revista Espírita, de janeiro de 1858, página 36 )

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3 respostas para Considerações sobre a Psicografia e Psicofonia – Parte II

  1. Adriana disse:

    Excelente!

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  2. Sonia Maria disse:

    Muito obrigada Adri.

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  3. norberto vicente disse:

    Considerações oportunas e com base doutrinária.

    Curtido por 1 pessoa

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