Somos todos médiuns

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Muitas pessoas me perguntam se são médiuns e como podem “desenvolverem essa capacidade” para serem “futuros médiuns”. É comum ainda muitos terem uma ideia equivocada enquanto a capacidade mediúnica. Já publiquei em um post anterior uma definição sobre o tema. Hoje adiciono, mas um complemento escrito pelo professor Rui Paz, que nos vem esclarecer um pouco mais sobre esse tema muitas vezes mal compreendido.

  

• Mediunismo: comunicação mediúnica
                        

• Mediunidade: comunicação entre espíritos seja ele encarnado ou não.  Uma faculdade do espírito. Através da leitura do mundo, da observação que faço do outro, das plantas, dos animais. Seria um diálogo com todo o Universo.
                        

• Processo mediúnico: é a interação entre o polissistema material e o espiritual que se viabiliza através do conhecimento possível de dois seres inteligentes num dado momento e espaço, produzindo valores com significação universal. Atendendo ao consentimento das partes, produzindo valores que correspondem as expectativa cultural dos dois polissistemas(material e espiritual)

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A mediunidade é um presente contínuo. Não existe esse estado de “estar” ou “não estar” mediunizado. Por muito tempo se imaginou o processo mediúnico como algo momentâneo, acidental. Isso se deve ao autoentendimento que se instalou nas casas espíritas, a partir da década de 1940. Com efeito, uma deferência especial passou a ser dispensado aos chamados médiuns, o que gerou graves distorções no entendimento dos espíritas, como a mitificação do médium, a sacralização da mediunidade, a esoterização do processo mediúnico.

É preciso, urgentemente, reconceituar mediunidade. Como dissemos, essa faculdade do espírito é um presente contínuo, ou seja, ela está sempre presente e ativa em nosso cotidiano. Pelo processo reencarnatório, o espírito submete-se às limitações da matéria, parte de suas faculdades fica embotada, sua percepção quase se restringe exclusivamente aos sentidos do corpo físico. Mas, mesmo limitado pela tridimensionalidade da matéria e sendo parte, o espírito não tem interrompida sua interação com o todo e a totalidade. Mantém o vínculo com todo o acontecimental imediato e mediato da sua existência, não se limitando ao processo espaço-temporal. Portanto, transcende permanentemente. Sentimos e pressentimos acontecimentos distantes no tempo e no espaço, como as intuições e premonições. A isso denominamos de apercepção. Esse estado de interação constante permeia todos os seres vivos.

Essa constatação pode explicar como os animais, por exemplo, têm percepções semelhantes. Quem tem animais domésticos já deve ter percebido como eles “sabem” quando o dono está chegando em casa, mesmo que isso leve alguns minutos. É como se recebessem um aviso antecipado da chegada da pessoa. Mas, na realidade é como se estivessem em contato contínuo com seus donos, sem sair de seu lado, mesmo que espacialmente distantes. Pessoas que sofreram as agruras da 2ª Guerra Mundial na Alemanha perceberam que quando haveria bombardeio em suas cidades, os pássaros retiravam-se do ambiente com horas de antecedência. O mais surpreendente é que essa retirada dava-se mesmo antes dos aviões bombardeiros decolarem da Inglaterra. Nem os observadores avançados, nem os radares, haviam detectado qualquer movimento, mas os pássaros “sabiam”, por assim dizer, e buscavam refúgios seguros. Há relatos de animais extraviados a centenas de quilômetros das suas antigas casas, mas que retornaram dias após o sumiço, como se tivessem um mapa mental do trajeto.

Na matéria, as coisas parecem separadas porque cada objeto se encerra num espaço estruturado finito, como espaços contidos e, pela forma como aprendemos a ver e interpretar a realidade achamos que nada há entre eles, senão espaços vazios. Ora, depois de Einstein, nada é vazio. A descoberta da curvatura do espaço mostrou que nem mesmo a luz escapa das distorções espaciais provocadas pela gravidade dos astros. Os físicos têm se debruçado sobre o que denominam de “emaranhamento quântico”, que permite que duas partículas que interagiram antes possam continuar interagindo de forma instantânea, independentemente da distância que se encontram. Como nada se desloca mais rápido do que a luz em nosso Universo, essa interação acontece por um entrelaçamento atemporal e transespacial. Será que podemos compreender o processo mediúnico por esses referenciais? Afinal, somos capazes de antever acontecimentos no tempo e no espaço, portanto, apercepcionais, porque atemporais e transespaciais.

Apesar do ceticismo de grande parte dos cientistas, a ciência tem muito a contribuir para o nosso autoconhecimento, no que se refere à natureza do espírito.

 

Fonte: Rui Simon Paz: Sociólogo, professor acadêmico na Faculdade Doutor Leocádio Correia e coordenador de grupos de estudos espíritas.

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4 respostas para Somos todos médiuns

  1. O que deixa transparecer é que ele disse, mas não disse. Revelou um processo eminentemente teórico sobre uma lógica essencialmente prática. Não há dúvidas que somos todos médiuns, como o processo de autoconhecimento nos conduz ao nosso centro. Mas a mediunidade é prática espírita. Da mediunidade o canal entre os polissistemas mantem-se ativo, primeiramente por uma questão que compreende uma das premissas de evolução do espírito, seja encarnado e não encarnado. Essa troca de fequências por meio da construção de sintonias necessita ser mantida e aprimorada. As casas espíritas devem sustentar com responsabilidade, cautela e muita seriedade, centros de estudos permanentes sobre a mediunidade, contemplados por laboratórios e pesquisas, a fim de que reconhecimento e desenvolvimento da mediunidade ultrapasse os efeitos de pura teoria e dos discursos predatórios, que mais desnivelam do que harmonizam. Se há mitificação do médium, sacralização da mediunidade, ou esoterização do processo mediúnico, o nexo causal entre o médium e os polissistemas é consequência desse desnivelamento, dessa desarmonização que acaba sendo provocada pela descompensação entre Ciência, Filosofia e Religião, cerne da Doutrina Espírita. Em algumas casas espíritas privilegia-se mais ciência. Em outras (a maioria) mais religião. Observa-se, inclusive, que se tem dado pouco ou quase nenhuma importância à filosofia. Enfim, o assunto é longo e minhas impressões tem sido cada vez mais frustradas ao deparar com discursos evasivos, medíocres e desprovidos dos reais interesses sobre o assunto.

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    • rui simon oaz disse:

      O processo mediúnico, ou prática mediúnica, como prefere o interlocutor, não se restringe à manifestação propriamente dita. O processo mediúnico e o seu resultado, que é o produto mediúnico, são epifenômenos de algo mais profundo, substancial, inerente à própria natureza do princípio inteligente. Reduzir a mediunidade à “prática espírita” é simplificar o complexo. E, no que se refere ao espírito, não há o simples, somente há o simplificado. Em outras palavras, qualquer coisa que dissermos sobre o espírito, a mediunidade, o livre arbítrio, etc., serão sempre simplificações coerentes com o nosso possível, com o alcance possível da inteligência, da cultura e das contingências humanas. A prática será sempre a objetivação da teoria.

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    • Sonia Maria disse:

      Boa Tarde Sérgio. Desculpa eu so poder te responder agora. Estou trabalhando muito e sem tempo para o meu blog,que espero poder arrumar um tempinho para me dedicar a ele. Sobre sua colocaçao,pedi ao próprio prof.Rui que respondesse a voce. Espero que sua resposta possa ser esclarecedora. Um abraço e mais uma vez me desculpe pelo atraso da resposta.

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