Visão em Paralaxe

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A visão em paralaxe permite uma nova realidade, sendo que cada momento tem sua singularidade

Para o espírito Antonio Grimm, os poetas sensibilizam os indivíduos para que façam novas interpretações do cotidiano. Através da poesia, os poetas permitem que sejam obtidos novos ângulos de visão da realidade, o que Antonio Grimm denomina visão em paralaxe.

Antonio Grimm atribui uma importância tão grande à poesia que, além dos textos que traz durante o ano sobre ciência, filosofia e religião, preocupa-se em trazer poemas relacionados a esses conteúdos para possibilitar, a quem fizer a leitura, a obtenção de novos patamares de aprendizado.

Antonio Grimm afirma que “cada momento tem uma singularidade, assim como cada homem tem uma singularidade em cada segundo de sua existência. Amanhã, nada será igual ao que aconteceu hoje, pois não há repetição. Por isso, é preciso que não se percam as oportunidades que aparecem”.

Segundo Antonio Grimm, “Deus nos deu a oportunidade de encontramos algumas pessoas e estes encontros não irão se repetir. Nós vamos reencarnar, mas não iremos reencarnar com nossos filhos, com nossos cônjuges, com nossos parentes. Iremos a cada encarnação fazer experiências diferenciadas”. E afirma que “é preciso saber sonhar, mas o sonho não pode ser maior que a realidade, e a realidade reencarnatória é uma realidade congruente”. Ele quer sensibilizar a todos para a consciência do momento histórico que estão vivendo.

Em seu livro A Leveza do Ser ele afirma que ele não tem outra pretensão senão permitir que as pessoas façam algumas inferências e se conjuguem um pouco mais com a natureza.

A visão em paralaxe pode ser explicada pela seguinte analogia: em uma sala escura para observar um objeto é possível usar uma lanterna para iluminá-lo; mas se forem utilizadas duas lanternas, será possível iluminar, ao mesmo tempo, o objeto em ângulos diferentes e obter uma visão mais ampla.

A visão em paralaxe é como se fossem raios de luz aplicados em ângulos diferentes, iluminando o objeto do conhecimento de forma mais ampla.

No processo de estudo, isto equivale a avaliar opiniões diferentes sobre o mesmo objeto, para que no final se alcance uma concepção mais ampla deste objeto. É uma realidade obtida por ângulos de visões diferentes. Isto permite novas interpretações do objeto.

A realidade vista em ângulos diferentes é a que mais se aproxima da verdade. A força da transdisciplinaridade está no conjunto de ideias que permite dar unidade ao conhecimento, fortalecendo a estrutura do ponto de vista do observador.

Assim começamos a perceber o quanto a visão em paralaxe é significativa para o exercício mediúnico e para a sentença mediúnica — que é o resultado do processo mediúnico.

ESPAÇO PLÁSTICO

Num primeiro momento, talvez não se possa fazer a verticalidade da visão em paralaxe. É muito difícil, porque a paralaxe é integrativa e ao mesmo tempo pode causar algumas confusões no indivíduo. Então nós vamos aos poucos alcançando a visão crítica do espaço, compondo-a com o *nisus. É necessário analisar o conceito do espaço plástico. E por que plástico? Primeiro porque todos estão recebendo e informando. Todos os seres vivos e também todas as coisas. Tudo está em todos. Então, há um extraordinário processo de comunicação sobre cada um. Tudo é plástico e está em completo movimento. O ambiente está cheio de partículas subatômicas, todas informando e comunicando. Tudo é movimento.

Na dimensão dos seres vivos, todos pensando e o pensamento sempre em evolução. Não há nada parado, tudo está em movimento, num movimento contínuo. Se existe esse movimento contínuo, nós não podemos ficar fazendo grafia de acontecimentos estáticos.

Todos nós queremos nos comunicar com o Ser mais extraordinário que nos creou. Para me comunicar com esse Ser, eu devo fazer súmulas, tenho que alcançar um grande grau de significação dos meus contemporâneos, de todas as pessoas e de todos os seres que estão ao meu lado. Mas o que é que eu posso fazer neste momento? Adianta pegar um livro de preces e decorar? Como esses livros representam, quem sabe, uma visão em paralaxe de dez anos atrás, 50 anos atrás, isto não será significativo para mim. Portanto não há sentido em fazer isto!

Eu devo fazer uma nova visão. Porque assim o fazendo, eu alcanço a realidade exposta e vou tratá-la. E faço, evidentemente, uma significação para o meu ser. Na medida em que eu faço essa significação, eu começo a compor o *numenal.

O numenal começa a fazer a grande dimensão da minha vida. Basta eu perceber a leveza do meu ser. E como eu percebo a leveza do meu ser?

Impressiona-me muito a leveza do ser. Sempre que eu me manifesto, eu olho para os senhores e nos momentos mais críticos vejo que os senhores conseguem se suspender e há uma leveza do ser. Eu já disse que o espírito é o autor, o ator e o portador da cultura. Isto é uma leveza. A cultura é espiritual, a cultura é do espírito. Isso é uma leveza.

Vejam, por exemplo, comer pouco. Nesse estado os senhores, imediatamente, vão sentir certa leveza. O pensamento fica melhor, o movimento fica melhor e começam a sentir que há nos senhores alguma coisa mais leve.

Imaginem sentir a leveza do próprio ser que é o espírito, mesmo ele estando um pouco preso à Terra. Quando os senhores sentirem essa leveza, o pensamento se abrilhanta com o sentido da luz. As coisas ficam mais claras. Os senhores vislumbram universos maiores, por que os horizontes se alargam. E tudo começa a fazer um processo combinatório. Nesse processo combinatório, começo a perceber que entre um besouro e o Ser que eu procuro, também faço parte do conjunto.

E como faço parte do conjunto, será que consigo me afastar deste conjunto? Será que consigo dizer “agora eu vou me isolar”? Não! Isto não é possível! Não há como deixar de fazer parte deste grande conjunto.

A água que os senhores usam é tratada. Usando uma analogia, podemos dizer que é como se ela fosse lavada. Ela foi purificada. Imaginem dizer há trezentos, quatrocentos anos ou mil anos atrás, que iríamos lavar a água. Pois eu quero dizer que pela visão em paralaxe, os senhores vão encontrar, na cultura chinesa, alguns monges dizendo: “chegará um dia em que a água será lavada”.

A realidade trazida pela visão em paralaxe é uma realidade móvel, absolutamente móvel. A realidade toda é dinâmica. Aqui não há nada parado, tudo está em movimento constante e em movimento em cadeia. Por exemplo, quando se abre uma fresta de uma janela permitindo que o sol entre, todas as partículas subatômicas se agitam e vemos um movimento extraordinário. Alguns dos senhores vão se perguntar imediatamente “eu respiro isso?” Sem a energia solar estas partículas não possuem um movimento tão intenso. Sob o sol, o movimento fica intenso e os senhores ficam assustados com aquela quantidade de partículas. O todo daquele elemento é sempre de partículas subatômicas. E todas as partículas com um destino: compor-se em grandes conjuntos. Assim como todos nós.

Espero poder, na medida dos meus esforços e de minha consciência, ajudá-los nesta caminhada evolutiva. Somos todos iguais, mas quiçá alguns de nós — que já tivemos experiências diversificadas e que se anteciparam à experiência dos senhores — possamos sensibilizá-los a tê-las também e a viver plenamente esses graus tão significativos do ser.

 

Comentário: O conceito de paralaxe das ideias é a visão que temos de nós mesmos, do outro, do mundo e das coisas. Se torna sempre mais rica quando podemos ver também por meio de um segundo olhar, o qual tanto pode ser nosso mesmo, como o de outra pessoa

 

Parallax_exampleObservação: Metáfora da paralaxe visual para compreender a paralaxe mental:

1. Estique um braço e com um olho fechado, levante o polegar para esconder algum objeto distante.
2. Em seguida, sem mover a mão, feche este olho e abra o outro.
3. Note que o primeiro olhar esconde o objeto e o segundo olhar o revela.

 

1. Nisus- esforço físico ou mental para alcançar um objetivo
2. Numenal – relativo a númeno; NUMÊNICO: “Malin se apoia em Plotino, filósofo neoplatônico, para declarar que o 36 Universo é composto de múltiplos níveis de existência, que incluem ambos o fenomenal (sensível) e o numenal (real)

Fonte: Revista Ser Espírita-Publicada pela Eslética Editora/Ano5/Número28/2014/ Allan Kardec – O Cientista da Reencarnação; páginas 34,35,36

■ Artigo do espírito Antonio Grimm, psicofonado pelo médium Maury Rodrigues da Cruz

 

 

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